México debate a legalização da maconha.
O Supremo Tribunal do México discutirá nesta quarta-feira o projeto do ministro Arturo Zaldívar sobre a regulamentação do cultivo, plantio e uso recreativo da maconha.
Destacamos 5 pontos-chave para entender a situação da cannabis no México:
Posse de até 5 gramas de maconha
Em 2009, o uso de drogas foi descriminalizado e a posse de até cinco gramas de maconha foi permitida, mas o tráfico e a produção continuam sendo crimes. De acordo com o Código Penal mexicano, esse delito acarreta pena de 10 a 25 anos, podendo chegar a 37 anos de prisão.
Segundo o último Inquérito Nacional sobre Dependências, o número de utilizadores de marijuana no México ronda os 5,7 milhões.
Segundo maior produtor mundial de maconha
O último relatório da ONU sobre drogas classifica o México como o segundo maior produtor mundial de maconha, depois de Marrocos. O país também ocupa a mesma posição na produção de ópio e heroína.
A área cultivada com cannabis no México é de 12.000 hectares (ano de 2011).
Lucros milionários
Embora os números não sejam exatos, um relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos estima que os cartéis mexicanos e colombianos obtenham lucros anuais de cerca de 39 bilhões de dólares.
A DEA (Administração de Combate às Drogas dos EUA) estima que a venda ilegal de heroína, metanfetamina, cocaína e maconha nos EUA gere um lucro anual de US$ 22 bilhões. Vale ressaltar que essas drogas são contrabandeadas principalmente do México.
Muitos presos estão na cadeia devido ao uso de maconha.
O Centro de Pesquisa e Ensino Econômico (CIDE) realizou um levantamento da população carcerária e estima que 601 mil e 32 mil dos presos cometeram crimes contra a saúde.
Desses presos, 58% foram condenados por transportar, possuir ou traficar maconha, 27% por cocaína e o restante por outras drogas.
Segundo o CID, a política antidrogas implementada tem se concentrado na prisão de pequenos traficantes e usuários. O órgão acrescenta que isso sobrecarrega enormemente o sistema e significa o uso de recursos que não estão sendo utilizados para processar e punir atividades criminosas mais graves e de maior impacto social.
O México tem uma taxa de população carcerária de 204 por 100.000 habitantes.

Os Estados Unidos e o Paraguai são pioneiros na regulamentação da maconha.
Os estados do Colorado, Washington, Alasca, Oregon, o Distrito de Columbia e o Uruguai aprovaram o uso recreativo da cannabis.
No entanto, as regulamentações sobre o cultivo variam de um lugar para outro. Por exemplo, no Oregon, é permitido cultivar até quatro plantas para uso pessoal, enquanto no Colorado é proibido e a cannabis deve ser adquirida em lojas ou farmácias autorizadas com receita médica. No Uruguai, o cultivo doméstico de até seis plantas de cannabis é permitido, mas também é possível comprá-la em lojas autorizadas até o limite de 40 gramas por mês ou em clubes de cannabis, onde o número de plantas cultivadas é proporcional ao número de membros do clube.
Em todos os casos, é ilegal para menores de idade possuir, comprar ou consumir a planta.
Vale ressaltar que no Uruguai houve um declínio no mercado ilegal e os consumidores preferem autocultivo sua própria maconha.
Fonte: O país